O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, assinalado anualmente em 21 de setembro, no âmbito do World Alzheimer’s Month, constitui uma oportunidade de sensibilização, atualização científica e combate ao estigma associado à doença de Alzheimer e às restantes demências (Alzheimer’s Disease International [ADI], 2026).
A demência representa um desafio prioritário de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2021, 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo, ocorrendo perto de 10 milhões de novos casos por ano; a doença de Alzheimer corresponde a aproximadamente 60-70% dos casos. A demência é uma das principais causas de incapacidade e dependência nas pessoas mais velhas e produz impacto clínico, psicológico, social e económico significativo nas pessoas, famílias, cuidadores e sistemas de saúde (OMS, 2026a). Em Portugal, a Alzheimer Europe estimou 238 401 pessoas a viver com demência em 2025, correspondendo a cerca de 2,29% da população, valor que reforça a relevância epidemiológica e assistencial do problema (Alzheimer Europe, 2025).
A prevenção e a redução do risco constituem atualmente componentes centrais da resposta às demências. A Comissão Permanente da Lancet identificou 14 fatores potencialmente modificáveis ao longo do ciclo de vida e estimou que a atuação sobre estes fatores poderá prevenir ou adiar uma proporção substancial dos casos de demência (Livingston et al., 2024). Em julho de 2026, a OMS publicou a segunda edição das orientações para redução do risco de declínio cognitivo e demência, recomendando intervenções sobre atividade física, tabagismo, consumo nocivo de álcool, alimentação, risco cardiometabólico, audição, participação social e cognitiva, exposição ambiental e intervenções multidomínio adaptadas ao perfil de risco (OMS, 2026b).
No plano terapêutico e assistencial, a evidência apoia modelos centrados na pessoa e intervenções não farmacológicas integradas. A estimulação cognitiva apresenta benefício na cognição de pessoas com demência ligeira a moderada (Desai et al., 2024), e a literatura recente reforça o valor do cuidado centrado na pessoa enquanto referencial para preservar a identidade, os valores, as preferências e a participação da pessoa na tomada de decisão (Saragih et al., 2025). O apoio estruturado aos familiares e cuidadores constitui igualmente uma dimensão essencial: revisões sistemáticas e meta-análises demonstram benefícios de intervenções psicoeducativas e psicossociais na sobrecarga e em diferentes indicadores de saúde mental dos cuidadores (Rodríguez-Alcázar et al., 2024; Shin et al., 2026).
Em Portugal, a Estratégia da Saúde na Área das Demências estabelece princípios de cuidados baseados nas necessidades e preferências da pessoa, ética e autonomia, cuidados na comunidade, continuidade, diversidade, equidade e padrões de qualidade, valorizando a deteção precoce, o diagnóstico compreensivo, as intervenções farmacológicas e não farmacológicas, a articulação entre níveis de cuidados, o apoio às famílias, a literacia e a formação dos profissionais (Despacho n.º 5988/2018). O modelo de governação do Plano Nacional da Saúde para as Demências foi atualizado pelo Despacho n.º 4762/2026, reforçando a operacionalização desta resposta no atual contexto organizacional do SNS.
Neste enquadramento, a Enfermagem assume uma posição relevante na promoção da saúde cerebral, identificação de alterações cognitivas e funcionais, avaliação das necessidades da pessoa e do cuidador, relação terapêutica, educação para a saúde, implementação e monitorização de intervenções não farmacológicas, gestão de sintomas psicológicos e comportamentais em articulação multidisciplinar, promoção da autonomia e continuidade de cuidados. A realização deste evento pretende atualizar conhecimento e favorecer a transferência da melhor evidência disponível para a prática clínica, com particular enfoque no contributo dos enfermeiros e dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica.
Objetivo geral
Atualizar conhecimentos técnico-científicos sobre prevenção, deteção precoce, intervenção e continuidade de cuidados na demência, promovendo uma prática de Enfermagem baseada na evidência, centrada na pessoa e sensível às necessidades das famílias e cuidadores.
Objetivos específicos
- Reconhecer fatores de risco modificáveis e sinais de alerta relevantes para a prevenção e deteção precoce da demência;
- Analisar uma intervenção terapêutica não farmacológica inovadora e cientificamente sustentada, bem como intervenções emergentes com potencial de integração futura na prática clínica;
- Refletir sobre o contributo da Enfermagem, em particular do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, na implementação de cuidados centrados na pessoa e no apoio aos familiares e cuidadores.
PROGRAMA
17h00 - Abertura
Ana Fonseca | Vice-presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Enfermeiros (OE)
Sérgio Branco | Presidente do Conselho de Enfermagem da OE
Aida Pardal | Secretária da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica (MCEESMP) da OE
17h15 - Demência: reconhecer para intervir precocemente
Rosa Silva | EEESMP, Docente na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto
17h35 - Intervenção não farmacológica inovadora: da evidência à prática
Ludovina Rebelo | EEESMP
17h55 - Intervenções não farmacológicas emergentes: evidência e perspetivas de integração futura
Isabel Gil | EEESMP, Docente na Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra
18h15 - Da inovação à prática de Enfermagem
Rosa Silva e Isabel Gil
18h40 - Discussão
19h00 - Encerramento
Data de realização: 28 de setembro de 2026, das 17h00 às 19h00
Local de inscrição: Balcão Único
Local de realização: Plataforma Cisco Webex
O link do evento será enviado para o e-mail de inscrição até 1 hora antes do início do evento. Para qualquer questão, deverá contactar o Contact Center através do número 210 138 888.
Evento: Gratuito
Duração: 02h00 (0,35 CDPs)
Organizador: Sede Ordem dos Enfermeiros
Público-alvo: Enfermeiros e Enfermeiros Especialistas ESMP
Nº de inscrições: 3000
Nota: Para uma correta identificação de participante, aquando do acesso ao Webinar, insira o seu endereço de e-mail que consta no BU. O certificado de participação só será emitido, caso o/a participante permaneça online, por um período igual, ou superior, a 50% da carga horária total do Webinar.