O cuidado informal em Portugal constitui uma componente essencial do sistema de apoio a pessoas em situação de dependência, especialmente idosos, pessoas com deficiência e doentes crónicos. Este tipo de cuidado é, na sua maioria, prestado por familiares, especialmente mulheres, e ocorre geralmente no contexto doméstico. Trata-se de um fenómeno muitas vezes invisível, mas vital para a sustentabilidade do sistema de saúde e proteção social.
Em Portugal, estima-se que centenas de milhares de pessoas dependem diariamente do apoio de cuidadores informais. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE, 2022), mais de 800 mil portugueses prestam algum tipo de cuidado informal. No entanto, apesar da sua importância, os cuidadores enfrentam diversas dificuldades, como o desgaste físico e emocional, a ausência de apoios formais suficientes, a falta de reconhecimento e a precariedade de políticas públicas efetivas.
Este cenário impõe desafios emergentes aos sistemas social e de saúde, levando a uma transição progressiva do cuidado de um modelo hospitalocêntrico para o contexto domiciliário. O cuidador informal assume um papel de destaque na resposta a estas exigências. Assumir o papel de cuidador informal constitui-se como um momento de transição, complexo e exigente, que implica a consciencialização e o desenvolvimento de novas habilidades e papéis, pelo que é capital conhecer a importância do engagement do cuidador familiar, tendo os enfermeiros um papel primordial em todo este processo.
A Lei n.º 100/2019, que criou o Estatuto do Cuidador Informal, representou um marco relevante ao reconhecer oficialmente o papel dos cuidadores informais e prever medidas de apoio financeiro e social.
Vários estudos têm destacado a necessidade de reforçar os mecanismos de suporte aos cuidadores informais, incluindo formação, descanso do cuidador, apoio psicológico e incentivos financeiros adequados. Além disso, defende-se uma maior articulação entre os serviços formais e informais, de modo a garantir um cuidado de qualidade para os dependentes e preservar o bem-estar dos cuidadores.
Urge olhar para esta realidade, de modo comprometido, investindo na criação de redes de apoio sustentáveis e inclusivas.
Programa:
1. O Cuidador informal: atualidade e desafios
2. O Engagement do Familiar Cuidador: Um Pilar Crucial no Cuidar em Contexto Domiciliário
3. Perda ambígua: uma vivência “oculta” dos cuidados familiares de pessoas com demência
Local: Webex
Início: Dia 11 de Setembro, às 21h30
Limite de inscrição: Dia 11 de Setembro, às 12h00
Preço: Gratuito
Notas:
- Receberá o link para aceder ao evento no email que consta no Balcão Único na sua área pessoal até 1h antes do início do webinar;
- Necessita assistir, no mínimo, a 50% do total de horas do webinar para obtenção do Certificado de Presença e atribuição dos respetivos CDP’s;